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Posts Tagged ‘Ana Corda’

Episódio 4

Três ou quatro no carro, não me lembro ao certo. Rodávamos pelas estradas em perfeito estado, após passarmos alguns dias em praias nordestinas. Em busca de nossa próxima parada, uma cidade indiana, foram quilômetros contados. A Índia dentro do Brasil. Eu não sabia como aquilo era possível, mas, de fato, existia. “Pai, mas como pode?”, eu perguntava a todo instante.

Os pequenos meninos morenos com roupas rasgadas, e, logo à frente, a placa escrita em Hindi, eram avisos do que procurávamos há horas. Monumentos históricos, referências aos Deuses, vacas enfeitadas em desfile, mais meninos. É o pouco que recordo.

O que mais me marcou foi a descoberta da floresta colorida dentro daquela cidade indiana. Árvores repletas de folhas – e não flores -, amarelas, vermelhas, laranjas. Vistosas, enormes, quase ao alcance do céu. E em meio ao mundo de folhas, um lago e uma estátua dourada que remetia à Estátua da Liberdade. Eu, com minha pouca altura, nas pontas dos pés, tentava passar as mãos nas folhas e suas mil cores.

“Filha, olha quem está aqui!”, gritou meu pai. Em um lento movimento, virei meu corpo e chorei ao ver a surpresa: meus tios e minha avó. Ali, em minha frente, depois de tantos anos.  Das folhas para as pessoas, mudei o foco da lente da máquina. Vovó estava falante e sorria e pedia mais e mais fotografias.

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Eu, Ana, acordei, sem despertador, sem nada. Só com aquela memória boa de um sonho que poderia ser verdade.

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Episódio 2

Um balão amarelo e vermelho. Vermelho e amarelo e listrado. Ana tinha suas mãos amarradas a uma corda, como se estivesse guiando cavalos numa carroça, mas estava sendo puxada pelo balão e estava voando. Voando… flutuando em céus azuis.

Enquanto voava, Ana, delirantemente feliz, e seu balão, batiam em gigantes Ipês regados de flores brancas em plena primavera. E ali, bem abaixo de seus pés suspensos, conduzida pelos suaves ventos que reinavam, admirava com olhos apaixonados, as cores, as plumas e os brilhos dos vistosos carros alegóricos e das fantasias do carnaval que durava toda aquela estação.

A viagem que já se estendia por quatro horas, só teve fim quando o balão cruzou com uma nuvem pontuda, responsável por fazer um imenso furo em suas listras, caindo assim, vagarosamente, sobre a cabeça da menina, tampando sua visão.

Quando Ana conseguiu se livrar de todo o pano que a cobria, percebeu que ainda estava em céus azuis, mas não mais amarrada às cordas do balão, e sim, sem saber como, enroscada pelos pés em uma grossa e pesada gota de chuva que ameaçava cair e estragar a festa carnavalesca mais linda que a sua imaginação poderia criar.

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“Acorda, Ana, acorda… já passa da hora, já passa da hora.”

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