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Archive for maio \14\UTC 2010

Chega o reconhecível barulho e eu entro no último vagão. Com minha cara de sono e meus fones no ouvido, escolho a mesma cadeira verde e espero a parada final deste curto passeio pelos trilhos em caminho ao Centro.

Centro gelado em que os altos e incontáveis prédios comerciais impedem que os raios de sol aqueçam e iluminem os tantos andantes que já circulam pelas ruas sujas e de mau cheiro tão cedo. Nelas, os mendigos, enrolados em seus jornais e papelões, vez ou outra, em cobertores, dormem e tentam sobreviver. Os camelôs exibem suas mercadorias pirateadas e “permitidas”, gritando em boa voz, seus preços. Os engravatados e outras criaturas bem vestidas, apressadamente, dirigem-se às suas salas de trabalho. Uns vendem pão; uns jogam água na calçada em tentativa de limpar “seu” território; uns carregam frutas e legumes em caixas de madeira; uns muitos tentam, incansavelmente, entregar os pequenos panfletos que anunciam ajudas financeiras e espirituais; uns apenas esperam. E os pombos, cada vez mais presentes, incomodam qualquer passante.

Observo tudo e, em passos rápidos, caminho em direção à roleta que me dá acesso ao “meu” alto prédio que colabora para que eu use casacos enquanto o sol brilha na cidade.

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Meros produtos que se tornam marcas poderosas. Produtos que são substituídos por nomes capazes de trazer status, alta satisfação, etc. Ou você acha que consome um perfume Dior ou uma calça Diesel por quê? Existem muitos motivos que o levam a consumir determinadas marcas. Mas não entrarei nas teorias de autores como Featherstone, Baudrillard, Bauman, entre tantos outros, para explicar isso. Depois disponibilizo meu tcc em algum site e quem se interessar pode ler.

O que eu quero saber é o seguinte: quanto você pagaria por uma água mineral? Eu reclamo quando vou à praia e o cara quer me dar o golpe ao cobrar R$ 3,00. Porém, caso uma certa marca conseguisse instaurar o desejo de consumi-la, não posso negar que, provavelmente, eu pagaria muito mais do que pequenas moedas para tê-la, não bebê-la. Sim, é apenas água; com uma garrafa semelhante a um vidro de perfume que contém cristais Swaroskvi e começou a ser notada quando celebridades como Jamie Foxx apareceram com a mesma em mãos. É o famoso caso de celebridades se associarem às marcas para acrescerem valores.

A estrela deste post é a água Bling H2O. Perrier virou fichinha perto dela. O preço pago pela marca, que já expandiu sua linha de garrafas em várias cores e tamanhos, é em média R$ 100,00 (!). Mas existem as garrafas com mais de 10 mil cristais que custam apenas R$ 4.300,00. Uma pechincha, né?!

Dubai Collection – “the 10 thousand”

Bling no Second Life

O mais interessante de tudo é que a marca se vende como reutilizável e reabastecível, pois o consumidor pode ostentar sua cara e luxuosa garrafa quantas vezes quiser e com qualquer tipo de líquido ali dentro. E além disso, ela também se vende como: “more than a pretty taste”. O mais engraçado é: “Testes cegos de sabor na cidade de Nova York colocaram a Bling H2O ao lado de água engarrafada comum e água de torneira de Manhattan. As reações se mostraram surpreendentes e imprevisíveis: a maioria das pessoas declarou a água de torneira de Manhattan como de melhor sabor, enquanto a Bling H2O foi considerada como simples água de torneira.”

Pode até ser considerada água de torneira, mas para o público de luxo (e não só) que se dispõe a comprá-la, é símbolo de diferenciação social.

Meros produtos que se tornam marcas poderosas. Produtos que são substituídos por nomes capazes de trazer status, alta satisfação, etc. Ou você acha que consome um perfume Dior ou uma calça Diesel por quê?  Existem muitos motivos que o levam a consumir determinadas marcas. Mas não entrarei nas teorias de autores como Featherstone, Baudrillard, Bauman, entre tantos outros, para explicar isso. Depois disponibilizo meu tcc em algum site e quem se interessar pode ler.

O que eu quero saber é o seguinte: quanto você pagaria por uma água mineral? Eu reclamo quando vou à praia e o cara quer me dar o golpe ao cobrar R$ 3,00. Porém, caso uma certa marca conseguisse instaurar o desejo de consumi-la, não posso negar que, provavelmente, eu pagaria muito mais do que pequenas moedas para tê-la, não bebê-la. Sim, é apenas água; com uma garrafa semelhante a um vidro de perfume que contém cristais Swaroskvi e começou a ser notada quando celebridades como Jamie Fox apareceram com a garrafa em mãos. É o famoso caso de celebridades se associarem às marcas para acrescerem valores.

A estrela deste post é a água Bling H2O. Perrier virou fichinha perto dela. O preço pago pela marca, que já expandiu sua linha de garrafas em várias cores e tamanhos, é em média R$ 100,00 (!).  Mas existem as garrafas com mais de 10 mil cristais que custam apenas R$ 4.300,00. Uma pechincha, né?!

O mais interessante de tudo é que a marca se vende como reutilizável e reabastecível, pois o consumidor pode ostentar sua cara e luxuosa garrafa quantas vezes quiser e com qualquer tipo de líquido ali dentro. E além disso, ela também se vende como:  “more than a pretty taste”. O mais engraçado é: Testes cegos de sabor na cidade de Nova York colocaram a Bling H2O ao lado de água engarrafada comum e água de torneira de Manhattan. As reações se mostraram surpreendentes e imprevisíveis: a maioria das pessoas declarou a água de torneira de Manhattan como de melhor sabor, enquanto a Bling H2O foi considerada como simples água de torneira.”

Pode até ser considerada água de torneira, mas para o público de luxo (e não só) que se dispõe a comprá-la, é símbolo de diferenciação social.

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