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Archive for the ‘livraria’ Category

“(…) Eu quero sem sempre aquilo com quem simpatizo,
Eu torno-me sempre, mais tarde ou mais cedo,
Aquilo com quem simpatizo, seja uma pedra ou uma âncora,
Seja uma flor ou uma ideia abstrata,
Seja uma multidão ou um modo de compreender Deus.”

Fernando Pessoa

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… é. Entrei, rodopiei pelos mais vendidos e confesso, analisei-os com pouca atenção e um tanto de desprezo. Titubiei por Saramago e Garcia, mas ainda não era o meu desejo. Não tem jeito. Não procurar por Nelson é inevitável. Fui até ele e me senti realizada a cada título encontrado, a cada página descoberta, virada e revirada. Em breve, serão desvendadas mais 605 folhas de papel offset de “A vida como ela é”. A vida de Freitas, Seu Alfredo, Bebeto, Moema, Pimentel, Marcondes, Dona Branca e muitos personagens, se tornará meu passatempo. E o sorriso de canto em minha boca com os dizeres fincados  também nela, serão: “só você consegue, Nelson, só você.” Só Nelson para fazer dos personagens, os nossos espelhos, os que carregam os nossos medos e as nossas vontades mais profundas.

“A primeira cliente que se submeteu à psicanálise do Bebeto foi uma grã-fina, loira e linda, que pagou as duas mil pratas da sessão, com lânguida naturalidade. Estava, ali, porque, 15 dias atrás, enfiara um cigarro aceso na vista de um gato, cegando-o. Fumando um outro cigarro, e com divertida curiosidade, perguntava ao jovem médico, dono do consultório tão bonito:

– Isso quer dizer o quê?

Durante um longo, um infinito minuto, ele não respondeu nada. Súbito, estendeu a mão:

– Quer me ceder, um momento, o seu cigarro?

Sem compreender, a grã-fina atendeu. Ele arremessou-se, então. Dominou-a rapidamente. Calcou, num dos seus olhos azuis e lindos a brasa do cigarro. Largou-a, cega, enchendo o edifício com seus gritos. Quando arrombaram a porta e invadiram a sala de psicanálise, ele, de braços cruzados, esperava, sem medo e sem remorso. Primeiro, foi levado para a delegacia. Depois, tiveram que interná-lo.”

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Fascinante. Em poucos minutos, algumas páginas e muitas ilustrações, podemos enxergar e compreender o que nos é essencial. Tudo o que mais damos atenção é necessário para a sobrevivência em padrões terrestres (capitalistas, diga-se de passagem), mas não é suficiente para a vivência, para a construção dos reais valores que um ser humano deve possuir: amor, amizade, lealdade, sinceridade. Pois são essas as posses que nos fazem verdadeiramente, ser. São as  pequenas coisas, que às vezes, somente crianças são capazes de ver, que tornam-se de infinita importância.  E é por isso que as pessoas grandes nunca deveriam esquecer que já foram crianças um dia.

Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos.

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clarissa

“Vontade de ficar deitada nestes canteiros, sentindo nas pernas e nos braços a umidade fresca que a noite deixou na relva. Os passarinhos cantam, invisíveis entre os ramos. O chão está juncado de flores roxas pisadas. Um perfume adocicado anda no ar. O primeiro governador-geral do Brasil foi Tomé de Sousa. Mas se tivesse sido o major Nico Pombo, por acaso o sol deixaria de brilhar como agora? Existe um cabo que se chama Finisterra. Mas, se não existisse,os jacarandás não estariam floridos do mesmo jeito?”

Ganhei de aniversário. Nunca tinha lido este autor. Totalmente diferente do meu preferido. Nelson Rodrigues. Mas, já nos primeiros parágrafos, achei lindo. Erico Veríssimo. Clarissa. Narrativa devagar. Bem descritiva. Romântica. Primeiro romance de Veríssimo. 1933. Personagens de uma pensão. Vida de uma menina de 13 anos. Tão poético! Mais tempo e eu acabo. Agora, o cansaço me consome. Dormir é meu lema. Tchau!

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Muitos blogs já falaram sobre isto e não custa nada deixar o assunto divulgado por aqui também. Em uma reunião familiar, comentaram sobre a nova moda: ler ouvindo. (Hein???) Isto é, enquanto você está no caótico trânsito de sua cidade; faz um exercício físico, ou melhor, aparece qualquer hora vaga inteligente em sua vida, a sua oportunidade de ler sem cansar a vista também surge, em vez de ouvir sempre as mesmas músicas da rádio ou aquele seu cd que não sai do lugar. Bem, estou falando do áudio-livro (ou audiolivro, como desejarem. Achei as duas escritas).

Os audiolivros vêm gravados em formato MP3 e a maioria, pelo menos os da editora brasileira mais conhecida, Plugme (MAIS), não possuem ruídos ou qualquer coisa que agrave a “leitura”. Alguns são narrados pelos próprios autores, o que nos dá uma interpretação mais fiel daquelas tantas palavras. Se eu achasse “O menino do pijama listrado” em áudio, antes de ter adquirido o livro tradicional, não pensaria duas vezes e o compraria. Pelo menos a pessoa que estaria lendo por mim poderia sentir mais emoção com a história e talvez, eu a achasse mais agradável de ler/ouvir. Pois é, gente, o “listrado” que falei por agora se define em duas palavras: bonitinho, porém, chato! O autor repete muito as informações e não existe nenhum ápice na história. Nada interessante.

Ah! E esses audiolivros me lembraram do filme “The Reader”, em que a personagem de Kate Winslet recebe fitas e mais fitas com lindos contos gravados pelo seu namorado da adolescência. Isso porque ela amava a literatura, mas não sabia ler e estava presa por ser acusada de um crime que não cometeu.

Enfim, os audiolivros além de te distraírem nos momentos improdutivos e te darem um “a mais” quando se trata de cultura; são ótimos para quem não tem tempo suficiente para sentar em sua cadeirinha (ou deitar em sua caminha) e ler normalmente. Além disso, não tiram o prazer da “leitura”.

Quem quiser desfrutar dessa inovação textual não deixe de testar os audiolivros. Só não pode se distrair no trânsito com a história contada e bater o carro; muito menos tropeçar na esteira de uma academia lotada enquanto a personagem do livro morre. Hahhaha
Onde achá-los? Submarino ou Plugme. Boa sorte e bom livro!

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Comprei o livro para que eu nao cometa o mesmo erro: ver o filme antes de ler. Terminei as 20 primeiras paginas agora pouco. Ainda no comeco, mas gostei. Soh achei a forma que o autor, John Boyne, escreve, muito simples e nao tanto instigante. Uma historia que demorarei mais do que o normal pra ler, pois, afinal, nao eh nenhum conto cabuloso de Nelson Rodrigues, que me enche os olhos. Alias, eu ia comprar Nelson mais uma vez. Mas interrompi a compra exatamente pelo fato de soh o ler. Dai, resolvi mudar e o “pijama listrado” surgiu na minha frente.

Apenas vacilei ao ver um pedaco do trailer do filme, uma vez que visualizei os personagens e parei de imagina-los do meu jeito. Apesar de o personagem principal, Bruno, ser bem parecido com os meus pensamentos, tirando somente os olhos azuis. Pra mim, ele ainda tem olhos castanhos.

Livros sao fascinantes exatamente por isso! Cada leitor imagina do seu modo. Cada um tem ideias proprias sobre os ambientes, os fatos, as caracteristicas dos personagens, etc. Cada um eh artista das paginas escritas por Boyne. Cria-se, transforma-se. Os leitores brincam com as letras do livro e fazem a historia de Bruno sempre diferente.

Leiam, criancas!

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Monstruosidade.

De onde ele veio?

De um ventre de mulher,

ou de um feixe de gussanos nervosos,

que nem o fundo da terra o quer?

Veio sem dúvida,

da incognita gruta de uma matéria bruta,

que não tem nome nem “ser”.

Ou talvez de uma anomalia:

encéfalo igual a pernas,

sexo igual a cabeça,

que desintegradas acresçam do destino uma “ironia”.

Poesia escrita em 1976 por Tiburtina Ferreira de Araújo Santana, minha avó. Sei a quem foi dedicada, mas é melhor deixar em segredo por aqui.

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